A família de uma adolescente de 12 anos luta na Justiça contra o Governo de Rondônia para conseguir o tratamento dela pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a mãe, Lidiane Laborda dos Santos, já foram feitas quatro tentativas de atendimento, mas não há profissionais especializados para o caso.
O custo da cirurgia na rede particular é de aproximadamente R$ 260 mil, valor que a família não tem condições de arcar. Lidiane relata que já venceu um processo contra o Estado, mas o governo recorreu da decisão e o caso voltou à Justiça. “A juíza deu duas vezes causa ganha. Só o que acontece, o Estado sempre recorre, demora mais, e quanto mais um dia que o Estado recorre, é mais um sofrimento de dor da minha filha, né, então assim, o caso da minha filha é bem crítico mesmo, bem crítico”, desabafou.
Sophia Laborda, de 12 anos, foi diagnosticada com escoliose progressiva há dois anos. Desde então, a doença avançou e a curvatura da coluna chegou a 52 graus, um quadro considerado grave. A menina recebeu ajuda de médicos para realizar exames, mas a cirurgia só foi indicada na rede particular.
“Não tem o profissional que atenda a escoliose. Foi quando eu fui em uma doutora lá, que conhecia outro doutor, que era amigo dela, e aí ela me indicou ele. A primeira consulta que eu fui eu não paguei… ele não cobrou. E aí ele me passou um raio-x, que também não faz pelo SUS, só no particular… Eu levei para ele e ele falou que o caso dela era só cirúrgico”, contou Lidiane.
Além da escoliose, Sophia tem transtorno do espectro autista (TEA) e faz uso de medicamentos controlados, o que limita o uso de remédios para dor. “É muito difícil que ela sinta dor. Ela tem o autismo, tem a depressão e ela já toma medicamentos fortes, não pode tomar medicação da coluna por conta desses outros medicamentos”, disse a mãe.
Diante da situação, a família lançou uma campanha para arrecadar os R$ 260 mil necessários para a cirurgia. “A gente fica triste por ela, porque a gente acaba sofrendo junto por conta disso e financeiramente a gente não tem esse valor para custear a cirurgia porque é um valor muito alto”, disse Lidiane. O g1 entrou em contato com o Governo de Rondônia, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Escoliose Toracolombar Progressiva
A doença é considerada rara e de causa desconhecida, surgindo durante a fase de crescimento, a partir dos 10 e 11 anos. Trata-se de uma alteração na coluna vertebral, fazendo com que ela faça uma curva para um dos lados, em formato de “C” ou “S”.
As cirurgias são indicadas quando há progressão que ultrapassa 40-45 graus. Por ser um procedimento invasivo, é meticulosamente programado, com avaliações pré- anestésicas, monitorização neurofisiológica (monitoramento da medula, na qual protege a parte de mobilidade) e dura em torno de duas horas e meia a três horas. “Nós médicos defendemos a ideia que a cirurgia seja realizada em centros especializados, com equipes multidisciplinares e especializadas”, lembra o médico.
Por: Amanda Oliveira/G1-RO
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