A CBF anunciou hoje a formação e “convocação” do primeiro grupo de árbitros profissionais para atuar nos jogos do Brasileirão. O time de elite contará com 72 integrantes, sendo 20 árbitros centrais, 40 assistentes e 12 árbitros de vídeo (VAR). Veja aqui a lista completa.
O início dos trabalhos como profissionais será em 1º de março. Os contratos com os árbitros serão assinados ao longo do mês de fevereiro e terão duração até o final de cada ano. Ao fim da temporada, pelo menos dois árbitros serão rebaixados e outros serão promovidos.
A profissionalização faz parte de um pacote de R$ 195 milhões que serão investidos pela CBF na arbitragem até o fim de 2027. Especificamente para a remuneração fixa dos árbitros, o orçamento da CBF está na casa de R$ 12 milhões por ano.
Mesmo com o contrato de profissionalização, a CBF poderá afastar das escalas árbitros que cometerem erros graves. A ideia é que o programa, inclusive, ajude a comunicar o trabalho de correção de rota e reforço de conceitos que por acaso sejam aplicados de forma errada no Brasileirão.
Foi uma mudança pedida há décadas por todos que amam o esporte. O movimento segue as práticas de todas as grandes federações do mundo. Isso precisava ser implementado com firmeza, mas estava adormecido na CBF. Essa gestão decidiu encarar o desafio.
Analisamos as demandas e possibilidades, conversamos com atletas, árbitros e especialistas. “Chegamos a um modelo 100% adequado à realidade do nosso futebol e aos anseios dessa categoria tão importante.” (Samir Xaud, presidente da CBF).
Como eles serão pagos?
Os árbitros serão vinculados como prestadores de serviço (PJ) à CBF, que arcará com a remuneração fixa deles. Eles ganharão um salário fixo que não será divulgado oficialmente pela CBF e ainda terão uma renda variável de acordo com a participação nos jogos — a já conhecida taxa de arbitragem, descontada da bilheteria de cada partida.
A CBF ainda criou um bônus de desempenho cuja aplicação é variável e a periodicidade ainda está em estudo. Uma preocupação na definição do valor da remuneração foi estipular um valor atraente o suficiente — com uma dinâmica de atividades ao longo da semana — que leve os profissionais a terem a arbitragem como único trabalho.
Mas, juridicamente, a CBF não pode exigir dedicação exclusiva dos prestadores de serviço. Os árbitros Fifa terão direito a um valor maior do que os que pertencem apenas ao quadro nacional.
Como eles foram escolhidos?
A seleção dos árbitros para o quadro profissional teve o quadro da Fifa como ponto de partida, além das notas na avaliação de desempenho da CBF nas temporadas 2024 e 2025. A comissão de arbitragem também olhou para quem foi mais escalado na Série A ao longo dos últimos dois anos.
A CBF entende que 20 árbitros centrais é número suficiente para cobrir a Série A e viu que esse número também já era usado nas principais ligas que também contam com profissionalização da arbitragem. Ano passado, a comissão escalou 32 árbitros diferentes no Brasileirão, mas sem ter um grupo de elite como balizador. De toda forma, árbitros bem avaliados fora do quadro profissional podem ser convidados para apitar nas divisões superiores.
Como será o rebaixamento?
A CBF entende que o sistema de rebaixamento e promoções vai ajudar os árbitros a se manterem motivados. A análise de quem entra e sai do quadro profissional se dará por um ranking atualizado a cada rodada, mas ele não será público e sim para consumo interno. O ranking também vai balizar escalas para os jogos do Brasileirão.
Treinos, preparação e tecnologia
A CBF planja encontros mensais presenciais com os árbitros, um período de treinos nos quais poderá reforçar conceitos técnicos, aspectos físicos e critérios. Ao mesmo tempo, a profissionalização trará, segundo a entidade, uma rotina intensa de acompanhamento e trabalho com a arbitragem.
A falta de critério foi uma das principais reclamações dos clubes que participaram do grupo de trabalho montado pela CBF para discutir a profissionalização da arbitragem. O recado da CBF é claro: o árbitro só será escalado se cumprir as metas semanais. A ideia é tratá-los como se fossem jogadores e usar a tecnologia como aliada.
Cada árbitro receberá um smartwatch, por meio do qual a comissão de arbitragem acompanhará a rotina de treinos, o desempenho físico e até de sono. Os árbitros terão à disposição uma equipe com preparador físico, nutricionista, fisioterapeuta, psicólogo e instrutor técnico.
A ideia é que essa equipe atue como se fosse uma comissão técnica da seleção. O time completo ainda será contratado pela CBF. Mas os árbitros poderão continuar trabalhando de forma adicional com seus profissionais pessoais, nas respectivas cidades, caso desejem.
A rotina de testes físicos envolverá quatro ocasiões principais: uma no início da temporada e outras três ao longo do ano (uma a cada três meses). Os árbitros que forem muito mal ao longo do ano ou não cumprirem requisitos de participação poderão ter o contrato com a CBF encerrado antes mesmo de cumprirem a temporada completa.
“Por que os árbitros erravam? Erravam por serem seres humanos. Todos erramos e continuaremos errando. Mas muitas vezes por faltar apoio, investimento, preparo físico, instrução técnica, apoio psicológico, tecnologia, saúde e uma trilha de desenvolvimento. Agora, não mais.” (Samir Xaud, presidente da CBF).
Por: Igor Siqueira e Bruno Braz/UOL-RJ
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