sábado, janeiro 28, 2023
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O balanço da passagem de Tite na seleção é assustador, fracassou em duas Copas em seis anos desperdiçados; ele sai milionário, mas pobre como treinador

O balanço da passagem de Tite na seleção é assustador. Diante das expectativas. Ele foi o único a ter um ciclo de seis anos, mesmo perdendo uma Copa. E se perdeu. Desperdiçou uma geração. E Neymar

 O balanço da passagem de Tite na seleção é assustador. Diante das expectativas. Ele foi o único a ter um ciclo de seis anos, mesmo perdendo uma Copa. E se perdeu. Desperdiçou uma geração. E Neymar.

Carlos Alberto Parreira. África do Sul, demissão. Fluminense, demissão. África do Sul, demissão. Aposentadoria. Dunga. Internacional, demissão. Seleção Brasileira, em 2016, demissão. Há sete anos sem trabalho.

Felipão. Grêmio, demissão. Guangzhou Evergrande, da China. Não quis renovar contrato. Palmeiras, demissão, Cruzeiro, demissão. Grêmio, demissão. Athletico Paranaense, aposentadoria. Desde 2006, o caminho dos treinadores que fracassaram com a seleção brasileira não tem sido empolgante. Pelo contrário, até.

O peso de não vencer a Copa do Mundo tendo o comando do único time pentacampeão da história do futebol, no país que teve o privilégio de ter o maior jogador de todos os tempos, Pelé, é enorme. Os técnicos saem da seleção menores do que chegaram. Tite não é exceção. Ele acertará sua saída de forma burocrática hoje, na CBF. Muito pelo contrário.

Ele foi um privilegiado. Foi o único treinador da história a ter a chance de seguir comandando o Brasil depois de a seleção perder uma Copa. Cair com a seleção significou demissão compulsória para todos, desde 1930, quando os Mundiais começaram a ser disputados. Tite, não.

Ele mobilizou o país em 2016, ao assumir a geração que Dunga não conseguiu fazer jogar. Sua trajetória pelo Corinthians, com direito à inédita Libertadores, ao bicampeonato mundial, a postura séria, que um dia avisou que Neymar, simulando faltas, não era “exemplo para o seu filho”.

A maneira como resgatou o Brasil nas Eliminatórias para a Copa da Rússia iludiu a imprensa, a população e os desesperados patrocinadores, anunciantes. Todos desejosos da reconquista da Copa do Mundo. Misturando orgulho nacional com interesses financeiros.

Tite derrotou Neymar e virou o garoto-propaganda mais disputado daqueles tempos, antes de começar o Mundial. Brasil reencontra Camarões na Copa do Mundo

Mas chegou a realidade. O Brasil que se esbaldou contra os hermanos sul-americanos fracassou diante de um europeu, como já havia acontecido em 2006, diante da França, 2010, frente à Holanda, o inesquecível 7 a 1 para a Alemanha. O time de Tite sucumbiu diante da Bélgica.

Foi um choque para todos os defensores de Tite, inclusive este jornalista, encarar a distância tática entre o Brasil e os europeus, que aprimoraram a parte estratégica, desenvolveram a parte física e também a técnica e levaram milhares de sul-americanos nas últimas décadas para o Velho Continente.

No final do Mundial de 2016 acabou parte da empolgação de Tite. Nasciam os questionamentos. Como é que ele permitiu as simulações tolas, infantis, de Neymar? Como o treinador concordou com o privilégio dado à família do seu camisa 10, de ficar no hotel da seleção, com direito à presença de parças e da atriz Bruna Marquezine nos treinos do Brasil em Socchi, na Rússia?

Por que insistiu com Gabriel Jesus, se o atacante sofria de ansiedade com a camisa da seleção? Como o Brasil não tinha velocidade para recompor sua defesa ao perder a bola? Tomar gol de escanteio em Copa do Mundo? Que treinamento de posicionamento foi esse?

A desculpa de Tite foi que o ciclo foi muito pequeno. “Só” dois anos para consertar o que Dunga havia feito de errado. O presidente da CBF, Rogério Caboclo, que acabou banido da CBF acusado de assédios sexual e moral e de esconder garrafas de vinho na sede da entidade, no Rio de Janeiro, decidiu manter o treinador.

Na análise de Caboclo não havia nenhum outro técnico no país, além de Tite, com capacidade de assumir a seleção. O então presidente da CBF nem cogitou contratar um estrangeiro. Caboclo também cedeu ao pedido dos jogadores que disputaram a Copa. Principalmente Neymar. Eles queriam que Tite ficasse.

O técnico derrotado na Rússia ganhou como presente mais quatro anos de trabalho e um aumento no salário. De acordo com publicações internacionais, ele passou a ganhar R$ 1,6 milhão. Um contrassenso histórico: o fracasso na Rússia valeu uma nova Copa do Mundo e aumento! Tite se submeteu à farra dos jogadores. Dança do Pombo contra a Coreia. Desrespeito descabido

“Ele é um encantador de serpentes”, bradou o ex-jogador uruguaio Diego Lugano, referindo-se a Tite. Foi o ataque mais direto ao treinador, depois da revelação de que ele seguiria na seleção.

O treinador retomou a seleção mais inseguro, incoerente. Decidido a recompensar os jogadores que pediram que ele seguisse no comando. Ele decidiu, como em um enredo de livro de autoajuda, que os derrotados na Rússia seriam consagrados.

Manteve mais do que a base do time titular. Fez peneira para os reservas. Ele queria jogando o Mundial do Catar o máximo de atletas de 2018, que pudesse levar. Sendo absolutamente incoerente na sua eterna pregação de que estariam sempre na seleção os melhores e nos seus mais auspiciosos momentos.

Os atletas já tinham enorme influência em tudo o que era decidido. Tite tinha a última palavra, mas a seleção parecia um colegiado, com direito a jogadores como Thiago Silva, Casemiro, Daniel Alves e, lógico, Neymar, se posicionarem em relação a tudo.

Veio o primeiro fracasso, que foi desprezado pela mídia brasileira. A perda da Copa América de 2021, em pleno Maracanã, para a seleção argentina. Título que impulsionou o time de Messi à conquista da Copa do Mundo no Catar.

Tite aceitou quatro anos de amistosos inúteis contra equipes africanas, asiáticas, por conta de interesses financeiros da CBF. O coordenador Juninho Paulista se defendia dizendo que os europeus não queriam enfrentar o Brasil. Mas jamais a CBF mostrou as negativas oficiais das seleções europeias.

Ou ousou procurar a Fifa e expor o problema gerado pela Liga das Nações, competição europeia criada para preparar suas seleções para os mundiais. O Brasil só enfrentou a fraquíssima República Theca em quatro anos de preparação para o Mundial do Catar.

Tite preparou o Brasil taticamente para o primeiro Mundial na Ásia por quase três anos. Foi quando “descobriu” Raphinha. E mudou a maneira de o Brasil atuar. E na véspera da estreia da seleção, contra a Sérvia, o treinador cede à pressão da imprensa e coloca Vinicius Junior também no time. Mudando o ciclo tático de quatro anos. Decisão incoerente que mexeu estruturalmente em toda a dinâmica da equipe.

Tite já havia concordado com o absurdo encontro dos jogadores e primeiros treinamentos decisivos para o Mundial, em Turim, na Itália. Com temperaturas de 8 graus, para depois chegar ao Catar com 29 graus.

Veio a Copa e Tite cada vez mais envolvido com os jogadores. Decidiu que homenagearia Daniel Alves, 39 anos, dois meses sem entrar em campo, vivendo a pior fase de sua carreira. E o levou ao Mundial do Catar até para compensar a perda da Copa de 2018, quando teve de operar o joelho direito.

Contra Camarões, o técnico decide que colocaria todos os reservas em campo, para que os 26 atletas convocados tivessem o “gostinho” de jogar uma Copa.

Mas seu mais infantil erro foi ter colocado Alex Telles. O Brasil já havia perdido Alex Sandro por contusão contra a Suíça. Não poderia colocar seu único lateral-esquerdo em uma partida quando a seleção já estava classificada.

Tite expôs a história do Brasil contra os africanos no Mundial. Um time reserva desentrosado em todos os setores acabou com a  primeira derrota da seleção em Copas do Mundo contra africanos.

“Põe na minha conta, põe na minha conta”, disse, raivoso, Tite, diante da minha pergunta para ele logo após a inesquecível derrota. A primeira derrota do Brasil para uma seleção africana em Copas. E perda de Alex Telles. Erros infantis

Mais do que o orgulho ferido, houve a perda de Alex Telles, que sofreu grave lesão no joelho e não mais disputaria a Copa do Mundo.  Ou seja, o Brasil teria de improvisar nas laterais nos jogos eliminatórios. O zagueiro Militão seria o lateral-direito e Danilo, destro, seria o esquerdo. Alex Sandro continuava contundido. E Alex Telles foi exposto, desperdiçado.

Veio o jogo contra a Coreia do Sul, a fácil vitória. Tite decidiu agir como um treinador juvenil e se deixou levar pela empolgação dos jogadores. Tratou de fazer a Dança do Pombo com Richarlison.

Situação constrangedora. Se Messi dançasse um tango com Scaloni após uma vitória da Argentina contra um adversário fraquíssimo, nas oitavas da Copa, seria ridicularizado.

Foi um enorme desrespeito, sim. Comemorações, danças exageradas e que envolvam treinadores são feitas após a conquista de título. Outra marca lastimável e inesquecível de Tite.

Veio a Croácia pelas quartas de final. O envelhecido time de Módric dominou a partida. Mas na prorrogação estava extenuado. A equipe já havia disputado a prorrogação com o Japão. Saiu atrás no placar, Neymar marcou 1 a 0.

Mas o time brasileiro seguia atacando, empolgado, querendo marcar mais um gol. O certo seria segurar a vantagem para chegar à semifinal da Copa. Mas não veio a ordem de Tite. Casemiro e Fred, os dois volantes, estavam à frente, quando a Croácia, em um contragolpe, empatou.

Nos pênaltis, tudo ficou pior. O primeiro a bater na Argentina é Messi. Na França, Mbappé. No Real Madrid, Benzema. Ou seja, os melhores cobradores iniciam as cobranças, para dar conforto ao time nas decisões. Não há improviso, há treinos.

No Brasil, Tite cedeu a Rodrygo. Com apenas 21 anos, ele garantiu que estava pronto para bater o primeiro diante dos croatas. Estava confiante. Tite não levou em consideração que era o jogador mais jovem da seleção. A ansiedade logo se mostraria nervosismo. E Rodrygo cobrou muito mal, Livaković não teve dificuldade para defender.

Neymar fazia questão de cobrar a quinta penalidade. A aposta seria que ele definiria a classificação para o Brasil. Tite, novamente, cedeu. E o melhor cobrador brasileiro nem chegou a bater. A Croácia consolidava mais um fracasso da seleção em Copa do Mundo.

O quinto seguido. Quando começar a Copa dos Estados Unidos, em 2026, serão 24 anos de jejum. Enquanto os jogadores se desesperavam no gramado, chorando, Tite caminhou para os vestiários. O mesmo treinador que fez a Dança do Pombo virava as costas para seus escolhidos.

Tite acreditou que teria emprego em um grande clube europeu após a Copa do Catar. Não recebeu nenhum convite. Foram seis anos na seleção. Duas enormes frustrações para os brasileiros. Em 2018 e 2022. Tite deixa hoje oficialmente o comando do time pentacampeão do mundo. Milionário. Jogadores arrasados, desesperados, depois da eliminação contra a Croácia. Tite? No vestiário

Mas um treinador muito “menor” do que quando assumiu, em 2016. E pior, para o futebol brasileiro. Não deixa herança alguma. Quem assumir terá de começar o trabalho do zero. Tite desperdiçou uma geração em dois Mundiais. Não desfrutou de Neymar aos 26 e aos 30 anos. A história não perdoará seu pífio trabalho na seleção…

 

Por: Redação do R7
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