Operação Rosas de Aço: PRF em Rondônia intensifica combate à violência contra a mulher
No último sábado (08), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Rondônia realizou a 9ª edição da operação “Rosas de Aço”, em alusão ao Dia Internacional da Mulher. A ação teve como principal objetivo conscientizar e alertar sobre o crime de importunação sexual, com especial atenção ao público feminino.
A operação contou com atividades educativas e preventivas, mobilizando a sociedade para o enfrentamento desse tipo de violência. A necessidade de iniciativas como essa se torna ainda mais evidente diante do crescimento alarmante dos casos de importunação sexual nas rodovias federais. Somente em 2024, a PRF já registrou 102 ocorrências desse crime. Nos anos anteriores, foram 50 denúncias em 2022 e 96 em 2023, demonstrando um aumento significativo.
Durante as abordagens, as equipes da PRF atuaram com acolhimento e sensibilidade, promovendo palestras de prevenção e orientação. A iniciativa busca não apenas coibir práticas criminosas, mas também fornecer informações sobre como agir diante de situações constrangedoras.
A Operação Rosas de Aço conta com a participação de diversos órgãos governamentais e entidades da sociedade civil, fortalecendo a rede de proteção às mulheres. Essa união de esforços é essencial para garantir a segurança e ampliar o combate à violência de gênero.
A PRF reafirma seu compromisso na luta contra a violência contra a mulher e convida a sociedade a se engajar nessa causa. Se presenciar ou for vítima de qualquer forma de violência, denuncie pelo telefone 191. Sua denúncia pode salvar vidas. (Por: gov.br/prf/pt-br).
Lei de Feminicídio completa 10 anos: ‘O que não se mede, não se muda’, diz especialista em violência de gênero
Uma década após a criação da Lei do Feminicídio, o cenário da violência contra mulheres no Brasil segue alarmante. Em 2024, São Paulo atingiu um recorde histórico no número de feminicídios, com mais da metade dos casos registrados no interior do estado.
Já a dona Nair Aparecida Acca de Oliveira, de 76 anos, foi morta a facadas em outubro de 2024, em São Manuel (SP), após não resistir aos ferimentos causados pelo próprio filho, de 52 anos, com quem a idosa morava. A motivação para o crime teria sido a partir de uma discussão.
No Estado de São Paulo, 2024 registrou um recorde de casos de feminicídio, conforme levantamento feito pelo g1. Ao longo do ano, 253 mulheres foram assassinadas, e 63% desses crimes ocorreram no interior do estado, totalizando 160 casos.
Em 2025, a Lei do Feminicídio completa 10 anos desde sua sanção, em 9 de março de 2015 (Lei 13.104/15), quando o assassinato de mulheres motivado por questões de gênero passou a ser tipificado como crime hediondo.
‘O que não se mede, não se muda’
Doutora em Direito Penal e especialista em violência de gênero, Alice Bianchini destaca a importância da Lei do Feminicídio, que reconhece e tipifica esse tipo de crime, tornando-o mais visível e passível de punições mais severas. “O que não se mede, não se muda. É por conta disso que é necessário nomear o fenômeno da violência contra a mulher.
Ele tem características específicas: não se trata de um crime praticado na rua por um desconhecido”. “Ao contrário, o lar não é um lugar seguro para a mulher brasileira e quem está matando nossas mulheres são os homens próximos a elas e com quem, na maioria das vezes, possui filhos em comum”, afirma.
Alice Bianchini, que também integra o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM) e é professora de Direito na Universidade de São Paulo (USP), alerta para a principal motivação dos feminicídios: na maioria dos casos, os crimes são cometidos por companheiros ou ex-companheiros das vítimas, movidos pelo sentimento de posse ou pela não aceitação do fim do relacionamento.
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Monitor da violência – feminicídio — Foto: Editoria de Arte/G1
“O que temos é: posse e controle de homens sobre mulheres. Ainda se lê em processos criminais de feminicídio a alegação do réu no sentido de que “se não vai ser minha, não vai ser de mais ninguém”.
Desde então, a pena foi aumentada no artigo 121-A para 20 a 40 anos, chegando a maior punição prevista no Código Penal Brasileiro, que considera até 40 anos o máximo para cumprimento de pena. Com a criação da Lei de Feminicídio em 2015, a pena era de 12 a 30 anos de reclusão e o autor do crime já recebia pena aumentada de um terço até a metade se o crime praticado for:
- Durante a gestação, nos três meses posteriores ao parto ou se a vítima é a mãe ou a responsável por criança, adolescente ou pessoa com deficiência de qualquer idade;
- Contra pessoa menor de 14 anos, maior de 60 anos, ou com algum tipo de deficiência;
- Na presença física ou virtual de descendente, ou de ascendente da vítima;
- Em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha.
Enquanto para homicídio simples, o Código Penal prevê pena de seis a 20 anos; homicídio qualificado e homicídio contra menor de 14 anos, de 12 a 30 anos, conforme o Jusbrasil. A diferença entre homicídio e feminicídio está na motivação do crime. Enquanto o homicídio abrange diversas circunstâncias, como acidentes, crimes motivados por recompensa, vantagens ou outros fatores, o feminicídio é caracterizado pelo assassinato de uma mulher em razão de seu gênero, geralmente associado à violência doméstica, discriminação ou menosprezo à condição feminina.
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Espiral da violência
Alice Bianchini, especialista em violência de gênero, declara a importância de se falar dos outros tipos de violência, uma vez que o feminicídio decorre de uma escalada da violência. “É frequente que a violência comece com a psicológica, que passou a ser a mais relatada em pesquisas com vítima (conforme dados do Ministério da Mulher)”.
“Fala-se da espiral da violência em que a violência seguinte é mais grave que a anterior. Ademais, a cada dia que passa vai encurtando o intervalo entre uma violência e outra, passando, no geral das vezes, a ser diária, tornando o autor um sério candidato a praticar o feminicídio”, reforça.
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Tipos de Violência Doméstica Mob — Foto: Luisa Rivas | Arte g1
A cada 17 horas, ao menos uma mulher foi vítima de feminicídio em 2024
A cada 17 horas, uma mulher morreu em razão do gênero em 2024 em nove estados monitorados pela Rede de Observatórios da Segurança: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. Os dados apontaram um total de 531 vítimas de feminicídios no ano passado.
Em 75,3% dos casos, os crimes foram cometidos por pessoas próximas. Se considerados somente parceiros e ex-parceiros, o índice é de 70%. O novo boletim Elas Vivem: um caminho de luta, divulgado nesta quinta-feira (13), foi produzido pela Rede de Observatórios da Segurança, uma iniciativa do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) dedicada a acompanhar políticas públicas de segurança, fenômenos de violência e criminalidade em nove estados.
Segundo o estudo, a cada 24 horas ao menos 13 mulheres foram vítimas de violência em 2024 nos nove estados. Ao todo, foram registradas 4.181 mulheres vitimadas, representando um aumento de 12,4% em relação a 2023, quando o estado do Amazonas ainda não fazia parte deste monitoramento. O estado juntou-se à Rede em janeiro do ano seguinte.
“Continuamos chamando atenção, ano após ano, para um fenômeno muito maior do que essa amostragem, que foi normalizado pela sociedade e pelo poder público como apenas mais uma pauta social. E por isso os números seguem aumentando, enquanto as políticas de assistência estão sendo fragilizadas”, observa a organização.
“Apesar de importantes avanços ao longo dos anos com a institucionalização dos mecanismos de proteção às mulheres, como as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio como crime – que deveriam estar mais consolidados e dotados de melhores condições de funcionamento –, a violência contra mulheres e o feminicídio continuam sendo uma realidade alarmante em nosso país”, disse a pesquisadora Edna Jatobá, que assina o principal texto desta edição do relatório.
Confira o número de vítimas de violência e de feminicídios em cada estado em 2024:
| Estado | Vítimas de violência | Feminicídios |
| Amazonas | 604 | 33 |
| Bahia | 257 | 46 |
| Ceará | 207 | 45 |
| Maranhão | 365 | 54 |
| Pará | 388 | 41 |
| Pernambuco | 312 | 69 |
| Piauí | 238 | 36 |
| Rio de Janeiro | 633 | 63 |
| São Paulo | 1.177 | 144 |
| Total | 4.181 | 531 |
Amazonas
O estado aparece pela primeira vez no monitoramento da Rede de Observatórios. Com 604 casos, fica atrás apenas de São Paulo e do Rio de Janeiro em números de violência, superando estados mais populosos, como Bahia e Pernambuco. Foram registrados 33 feminicídios no estado, 15 deles por parceiros ou ex-parceiros.
No Amazonas, 84,2% das vítimas de violência sexual em 2024 tinha de 0 a 17 anos. Além disso, 97,5% não tiveram identificação de raça/cor. O estado registrou dois casos de transfeminicídio.
Bahia
O estado apresentou redução de 30,2% nos eventos de violência em um ano (de 368 para 257). Em 73,9% dos casos as vítimas não tiveram raça ou cor identificada. Entre os 46 feminicídios, 34 não tiveram essa informação. A capital baiana, Salvador, foi a que mais registrou eventos, com 68 no total. A Bahia também teve 96 mortes de mulheres (feminicídio e homicídio). Nenhum transfeminicídio foi registrado.
Ceará
Os 207 casos registrados fizeram de 2024 o pior período em sete anos com relação à violência contra mulheres no Ceará. Em comparação com 2023, o aumento foi de 21,1%. Os feminicídios também aumentaram: de 42 para 45. A maioria dos casos ocorreu com mulheres entre 18 a 39 anos. Parceiros e ex-parceiros cometeram 56 das violências. O estado também registrou um caso de transfeminicídio.
Maranhão
O Maranhão cresceu quase 90% na violência de gênero. O estado passou de 195 para 365 eventos violentos, sendo 151 cometidos por parceiros e ex-parceiros. Foram 54 assassinatos, sendo que 31 delas tinham entre 18 e 39 anos. Quase 100% dos crimes não tiveram identificadas raça e cor (93,7% das ocorrências).
Pará
O Pará também registrou um crescimento alarmante sobre os eventos de violência: alta de 73,2% (de 224 para 388). A motivação dos casos majoritariamente não teve registro (81,3%), mas 63,4% dos crimes foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros. As agressões registradas com uso de arma de fogo somaram 96 e com facas e objetos cortantes foram 95.
Pernambuco
O estado teve uma redução de 2,2% (de 319 para 312) nos casos de violência contra as mulheres. No entanto, Pernambuco ficou atrás apenas de São Paulo nas mortes de mulheres (feminicídio, transfeminicídio e homicídio), com 167 eventos. Foi o segundo estado, entre os nove, com mais casos de feminicídio: 69 casos.
Piauí
O estado registrou crescimento de 17,8% nos crimes ligados a gênero (de 202 casos para 237). Teresina teve, disparadamente, o maior número de casos (101), seguida por Parnaíba (14). Foram 57 tentativas de feminicídios e 36 feminicídios.
A exemplo de outras regiões, o Piauí também teve problemas de transparência dos dados: 52,7% dos casos ficaram sem registro de motivações e 97,2% sem os marcadores social e étnico-racial, informações necessárias à compreensão do fenômeno e para o direcionamento de políticas públicas.
Rio de Janeiro
No Rio, os casos de violência de gênero cresceram de 621 para 633 em um ano – aumento de 1,9%. Do total, 197 crimes foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros. Feminicídios e tentativas também registraram altos números: 63 e 261, respectivamente. Foram registrados 103 casos de violência sexual/estupro. Do total de 64 eventos violentos, 13 foram cometidos por agentes da segurança pública.
São Paulo
São Paulo é a única região monitorada com mais de 1 mil eventos violentos contra mulheres em 2024. Foram 1.177 casos, um aumento de 12,4% em relação ao ano anterior. A capital do estado teve os maiores números de casos: foram 149, seguida de São José do Rio Preto, com 66, e Sorocaba, com 42.
Entre as vítimas de violência com registro etário, 378 mulheres tinham de 18 a 39 anos – 422 não tiveram essa informação disponibilizada. Foram registrados 144 feminicídios no estado, sendo 125 cometidos por parceiros ou ex-parceiros. (Por: Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil).
Por: Wellington Gomes
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