A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de quatro ministros a Rondônia, nesta sexta-feira (8), foi um retrato fiel da polarização política que o país ainda enfrenta. O dia foi marcado por anúncios de investimentos, gestos políticos calculados e, infelizmente, episódios lamentáveis de hostilidade e violência.
Do lado positivo, Lula trouxe um pacote de obras e investimentos para Rondônia de proporções comparáveis apenas ao seu primeiro mandato. Foram anunciadas ações estratégicas, como a construção de uma ponte binacional sobre o Rio Mamoré, o primeiro hospital universitário do estado e investimentos em infraestrutura que contemplam dezenas de municípios.
O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes (Podemos), demonstrou habilidade política ao manter bom trânsito com o governo federal, garantindo recursos sem se prender a disputas ideológicas. Já o senador Confúcio Moura (MDB) se destacou como único representante da bancada federal presente, posicionando-se ao lado do presidente e capitalizando os anúncios.
Mas nem tudo foi obra e diplomacia. Em frente ao Palácio das Artes, onde ocorreu a solenidade, um idoso patriota de 60 anos, vestido com a camisa da seleção brasileira e “armado” com um galho de árvore, partiu para cima de apoiadores de Lula. Tentou tomar bandeiras e faixas, atingiu alguns com o improvisado bastão, mas acabou no chão após levar um pisão no tórax de um petista mais corpulento.
O golpe o deixou ferido e sangrando, sendo socorrido pelo Samu. Embora nenhum tipo de violência seja aceitável, o fato é que o patriota provocou o incidente no qual acabou como vítima. Nos bastidores políticos, chamou atenção a ausência do governador Marcos Rocha (União Brasil), que preferiu deixar a recepção a cargo do vice, Sérgio Gonçalves.
A escolha evitou um constrangimento direto, mas não poupou Gonçalves de ser vaiado por militantes petistas — demonstração de intolerância que, no calor do fanatismo, não difere da truculência bolsonarista. Episódios de radicalismo também ocorreram no interior. Uma caravana de petistas de Machadinho do Oeste precisou de escolta da Polícia Rodoviária Federal após receber ameaças de morte de bolsonaristas. A ação foi solicitada pelo Gabinete de Segurança Institucional para garantir a integridade dos militantes.
No balanço final, Lula saiu fortalecido politicamente com os anúncios, Léo Moraes e Confúcio Moura capitalizaram a proximidade com o Planalto, e Marcos Rocha manteve distância das vaias. Já o idoso patriota — protagonista da cena mais lamentável do dia — deve ter despertado hoje não só com dores no peito, mas também na cabeça. E talvez com a certeza de ter feito o papel de maluco, como diria seu “mito”.
Por: Rubens Coutinho/TudoRondonia
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